Por Linhas Tortas

O mundo sob os olhos de uma pessoa comum

Piada Mortal

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“De médico e Louco todos temos um pouco” é o que diz o conhecido ditado popular, o que aconteceria se alguém resolvesse tirar o prova? O que separa uma pessoa sã de um louco? A loucura existe desde que o homem passou a viver em sociedade, talvez antes, mas até hoje é algo que intriga as pessoas. Nós isolamos os loucos, incapazes de conviver em sociedade eles são jogados em asilos, manicômios ou  presos dentro da casa de parentes, vivendo sob o julgo de pessoas ditas sãs.

Mas um personagem de quadrinho vê as coisas por um outro ângulo, o ângulo dos loucos, sua mente psicótica é tão insana que consegue, paradoxalmente, ter vislumbres muito mais lógicos, racionais e sãos do que muitas pessoas que dizem ser equilibradas. Creio que qualquer fã de quadrinho já sabe de quem estou falando (se não pela descrição, então pelo título do post). O homem de cabelo verde, rosto branco e sorriso vermelho estampado do rosto, que tomou vida recentemente por meio de um filme, cujo ator cumpriu seu trabalho de forma estupenda,e lhe rendeu um oscar póstumo. Ainda não sabe? Pois bem, o nome dele é Coringa.

Hoje tive a oportunidade de ter em minhas mãos a obra de título homônimo ao desse post, e uma obra que mudou a maneira do mundo ver o Batman e ver o Coringa, que mudou a forma dos roteiristas vêem seus personagens. Não é a toa que esse marco recebe a assinatura de um dos roteiristas mais famosos de todos os tempos, Allan Moore (V de Vingança, Watchmen e outros), sem esquecer Brian Bolland um grande desenhista que incentivou Moore a participar da Piada Mortal.

Nessa história (atenção possíveis SPOILERS) o Coringa resolve tirar a prova de uma teoria. Tudo que separa um louco de um são é um dia ruim, um simples, porém marcante, dia ruim. E quem é o cobaia p/ esse experimento? Batman? Não, claro que não, mas porque o não Batman? Porque Batman já caminha em um limiar, Batman já teve seu dia ruim e, de certa forma, se tornou tão louco quanto o Coringa, mas uma loucura diferente e direcionada. O alvo do Coringa foi uma pessoa comum, uma pessoa conhecida por seu caráter e racionalidade, o parceiro de Batman que não é parceiro, Gordon.

Para provar sua teoria, o palhaço do crime alejou Barbara Gordon (ex-Batmoça, atualmente Oráculo), ratou Jim Gordon, o humilhou e o torturou psicologicamente. Jim (ATENÇÃO SPOILER DO FINAL) resistiu, ele foi forte o suficinte para manter a sanidade, Gordon provou que o Coringa estava errado, mas será que estava? A cena final do Batman rindo da piada com o Coringa não prova o contrário? Não prova que realmente Batman teve seu dia ruim e afundou nele?

O final, como muitos bons finais, é sugestivos, cabe ao leitor interpretar e tentar visualizar por si o que realmente aconteceu, pois a resposta não é dada de graça. É toda essa maestria com que Moore e Bolland orquestram a Piada Mortal, é toda essa simplicidade de um cientista louco com que o Coringa quer provar sua tese, é todo o horro psicológico a que Gordon é submentido e toda a confusão mental de Batman por não saber como lidar com o Coringa é que fazem essa obra um primor e a coloca entre as mais cultuadas histórias de quadrinhos de todos os tempos.

Após ler Piada Mortal, eu só pude fazer uma coisa, rir.

Written by Silvano

05/04/2009 às 12:16 pm

Publicado em Quadrinhos

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