Por Linhas Tortas

O mundo sob os olhos de uma pessoa comum

A lógica da existência de Deus

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Bom quem me conhece sabe, sou ateu, ou seja, não acredito em Deus. Respeito quem acredita, mas sou cientificista (sob certa óptica), acredito que com o tempo a ciência vai desvendando cada vez mais e mais mistérios da natureza.

Mas sempre há pessoas que tentam me dissuadir ou simplesmente me explicar eventos sob uma visão religiosa. E devo admitir que já ouvi diversas histórias no mínimo intrigantes, mas é sempre com “um amigo de um amigo” ou são coisas que podem ser compreendidas como interpretação da mente, ilusões ou auto-sugestão.

Eis então que me deparo com uma explicação da existência de uma entidade divina baseada puramente na lógica. Embora haja aí uso de conceitos lingüísticos (que por serem convenções humanas, são passíveis de má compreensão ou uso), a lógica se mantém.

O autor dessa explicação foi Anselmo, um filósofo e padre da idade média.

A idéia é a seguinte:
Anselmo diferenciava existência “física” da idéia (algo que está em sua inteligência ou algo seja inteligível).
Assim se um pintor tem a idéia de uma pintura, ela ainda não existe, mas passará a existir quando o pintor terminar a pintura.

Então Anselmo continuou.
Pense em “algo que não se pode pensar nada maior” (maior qualitativamente e não quantitativamente, ou seja, não pense em níveis gradativos ou série). Suponho que essa frase seja compreensível, então se você a compreendeu ela está em sua inteligência, mas num primeiro momento supõe-se que isso não significa que tal coisa existe.

Agora vamos à lógica:
Se “algo que não se pode pensar nada maior” não existir, então o que existe é maior que “algo que não se pode pensar nada maior”, logo para que a frase que você tenha compreendido seja de fato “algo que não se pode pensar nada maior”, ele terá de existir.
Tentando simplificar: “algo que não se pode pensar nada maior” tem que existir, caso contrário não será “algo que não se pode pensar nada maior”.

Anselmo então continua.
É possível compreender a existência de algo que ‘não pode não existir’ (não pense em exemplos, pense somente na idéia da frase). Então “algo que não se pode pensar nada maior” não pode não existir, tendo em vista que se pudesse ‘não existir’ então o que ‘não pode não existir’ seria maior. Logo “algo que não se pode pensar nada maior” não pode não existir.

E por fim, esse “algo que não se pode pensar nada maior” é Deus.

Assim que possível pretendo expor aqui algumas idéias que tive com relação a esse texto e explicarei brevemente (pois meu conhecimento, infelizmente, é pequeno) como Kant rebateu essa teoria de Anselmo.
Quem se interessar e tiver alguma opinião com relação ao texto, fique a vontade para responder, assim posso enriquecer e até corrigir meus argumentos.

Vale lembrar também que outros filósofos famosos tentaram justificar a existencia divina por meios lógico (por exemplo Descartes), mas como disse meu conhecimento ainda é pequeno nesse ramo, por isso vou me ater aos argumentos até então me apresentados.

Written by Silvano

26/08/2008 às 9:54 pm

Publicado em Filosofia

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2 Respostas

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  1. Você vai mesmo falar do Kant?
    Do Descartes você pode falar, se leu a terceira meditação. chegou até lá? Tem um argumento parecio, né? é o chamado argumento ontológico.

    De todo modo, quanto ao Kant, diria apenas que pro Kant, parece-me, a existência não é um predicado, isto é, não é uma qualidade do sujeito (como por exemplo ser bom etc.). Então, o argumento do Anselmo tá errado por isso. Além disso, como sabemos (sabemos?), pro Kant não é possível conhecer Deus (nem sua existência). Mas aí é outra história..
    Bom, Tô curioso para saber como você vai apresentar o Kant.
    abraços

    Manoel

    27/08/2008 at 12:45 am

  2. Ah, acrescentando. O Anselmo é Santo, tá?
    E é o Ansemo de Cantuária. Assim que ele é conhecido.

    Manoel

    27/08/2008 at 12:46 am


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