Por Linhas Tortas

05/04/2009

Piada Mortal

Arquivado em: Quadrinhos — Silvano @ 12:16 pm
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“De médico e Louco todos temos um pouco” é o que diz o conhecido ditado popular, o que aconteceria se alguém resolvesse tirar o prova? O que separa uma pessoa sã de um louco? A loucura existe desde que o homem passou a viver em sociedade, talvez antes, mas até hoje é algo que intriga as pessoas. Nós isolamos os loucos, incapazes de conviver em sociedade eles são jogados em asilos, manicômios ou  presos dentro da casa de parentes, vivendo sob o julgo de pessoas ditas sãs.

Mas um personagem de quadrinho vê as coisas por um outro ângulo, o ângulo dos loucos, sua mente psicótica é tão insana que consegue, paradoxalmente, ter vislumbres muito mais lógicos, racionais e sãos do que muitas pessoas que dizem ser equilibradas. Creio que qualquer fã de quadrinho já sabe de quem estou falando (se não pela descrição, então pelo título do post). O homem de cabelo verde, rosto branco e sorriso vermelho estampado do rosto, que tomou vida recentemente por meio de um filme, cujo ator cumpriu seu trabalho de forma estupenda,e lhe rendeu um oscar póstumo. Ainda não sabe? Pois bem, o nome dele é Coringa.

Hoje tive a oportunidade de ter em minhas mãos a obra de título homônimo ao desse post, e uma obra que mudou a maneira do mundo ver o Batman e ver o Coringa, que mudou a forma dos roteiristas vêem seus personagens. Não é a toa que esse marco recebe a assinatura de um dos roteiristas mais famosos de todos os tempos, Allan Moore (V de Vingança, Watchmen e outros), sem esquecer Brian Bolland um grande desenhista que incentivou Moore a participar da Piada Mortal.

Nessa história (atenção possíveis SPOILERS) o Coringa resolve tirar a prova de uma teoria. Tudo que separa um louco de um são é um dia ruim, um simples, porém marcante, dia ruim. E quem é o cobaia p/ esse experimento? Batman? Não, claro que não, mas porque o não Batman? Porque Batman já caminha em um limiar, Batman já teve seu dia ruim e, de certa forma, se tornou tão louco quanto o Coringa, mas uma loucura diferente e direcionada. O alvo do Coringa foi uma pessoa comum, uma pessoa conhecida por seu caráter e racionalidade, o parceiro de Batman que não é parceiro, Gordon.

Para provar sua teoria, o palhaço do crime alejou Barbara Gordon (ex-Batmoça, atualmente Oráculo), ratou Jim Gordon, o humilhou e o torturou psicologicamente. Jim (ATENÇÃO SPOILER DO FINAL) resistiu, ele foi forte o suficinte para manter a sanidade, Gordon provou que o Coringa estava errado, mas será que estava? A cena final do Batman rindo da piada com o Coringa não prova o contrário? Não prova que realmente Batman teve seu dia ruim e afundou nele?

O final, como muitos bons finais, é sugestivos, cabe ao leitor interpretar e tentar visualizar por si o que realmente aconteceu, pois a resposta não é dada de graça. É toda essa maestria com que Moore e Bolland orquestram a Piada Mortal, é toda essa simplicidade de um cientista louco com que o Coringa quer provar sua tese, é todo o horro psicológico a que Gordon é submentido e toda a confusão mental de Batman por não saber como lidar com o Coringa é que fazem essa obra um primor e a coloca entre as mais cultuadas histórias de quadrinhos de todos os tempos.

Após ler Piada Mortal, eu só pude fazer uma coisa, rir.

21/10/2008

Holy Avenger

Arquivado em: Quadrinhos — Silvano @ 8:14 pm
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Bons trabalhos na área de quadrinhos de origem brasileira não são tão raros, mas poucos persistem por muito tempo. Holy Avenger (HA) foi uma boa excessão.

Baseada e ambientado no cénario de RPG Tormenta (100% brasileiro), HA fez bastante sucesso, em estilo semelhante ao mangá, foi o quadrinho brasileiro não-infantil de publicação mais duradoura e seu final se deu pela história em sim, pois as vendas se mantiveram bem até o fim.

HA conta a história de Lisandra, uma druida que vive num ilha infestada de animais selvagens e monstros (todos amigos dela), ela parte em uma jornada em busca do rubis da virtude, gemas de grande poder criada pelos deuses, para salvar a vida do Paladino de Arton, o maior herói do mundo. Em seu caminho ela conquista a amizade de personagens como o ladrão Sandro Galtran, filho do maior ladrão do mundo, e a arquimaga (magos de extremo poder) elfa Niele, que pasam a ajudar Lisandra em sua busca.

Com uma história envolvente e bem construida HA é um marco na história dos quadrinhos brasileiros. Os autores prometeram investir num série animada, mas estamos sem novidades disso no momento, no entanto foi divulgado um vídeo promocional, embora nada realmene oficial (não ficou tão legal na minha opinião).

Como os quadrinhos são meio antigos, vou disponibilizar um link p/ download (infelizmente alguns links estão quebrados) da saga, mas se possível comprem, vale a pena.

07/09/2008

Turma da Mônica Jovem

Arquivado em: Literatura, Quadrinhos — Silvano @ 7:59 pm
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Para quem ainda não sabe a turminha cresceu. Estilizada, adolescente e modernizada, Mônica e cia foram recriados por Maurício de Souza em uma nova série de histórias.

Para quem se chocou, calma, as histórias deles crianças contiuarão a ser publicadas normalmente, em paralalo vem essa nova série, um tanto ousada e diferente, na minha opinião (o que não significa necessariamente ruim).

Antes de começar a falar da minha opinião sobre a HQ (história em quadrinhos) nº 1 vou traçar um paralelo entre os principais nas duas séries (ATENÇÃO CONTÉM SPOILERS DAS REVISTAS):

Mônica:
criança: Nervosinha e forte, a personagem principal é mandona e costuma usar sua força para intimidar os meninos a fazer o que ela quer, mas tem um bom coração e sempre tenta ajudar a quem precisa.
adolescente: Ainda forte, um pouco mais calma e, aparentemente, não tão mandona. Mônica amadureceu mais. Continua apegada ao Sansão, mas não o usa mais para bater em seus amigos.

Cebolinha/Cebola:
criança: Meio convencido, esperto e quer o título de dono da rua a qualquer custo. Ele é líder dos meninos quando a Mônica não está por perto (ou quando eles querem aprontar com ela).
adolescente: Mais maduro também, agora não gosta que o chamem de Cebolinha, prefere só Cebola. Está tratando sua dislalia (trocar r por l), mas ainda fala errado (digo “elado”) quando fica nervoso, incluindo aí quando está perto de meninas.

Cascão:
criança: O esportista do grupo, sempre fiel ao seu amigo Cebolinha e famoso pelo seu medo de água (algumas das melhores histórias, para mim, era a turma tentando dar um banho no cascão).
adolescente: Ainda esportista, agora bem descolado é o “bro” da galera. Agora ele toma banho, mas só para agradar Cascuda. Junto com a Mônica é o que mais lembra sua versão infantil.

Magali:
criança: Meiga e comilona, é o melhor resumo para Magali. Adora bichos (para infelicidade de seu pai), é a mlehor amiga da Mônica.
adolescente: Geração saúde, ainda come muito, mas agora ela tenta se controlar, afinal não quer engordar. Ainda adora bichos, e Minguau continua lá ao seu lado.

Nas HQs infantis, a turminha, normalmente, se mete em confusões simples e causadas por eles mesmos, as vezes vemos uns ets ou o famigerado Capitão Feio em ação, mas são excessões. O fato é que as histórias cairam muito em repetição e desde a saída da Turma da Abril (na verdade a melhor fase era quando a ed. Globo lançava as revistas) houve um queda na venda e publicidade, mas ainda os consideramos como ícones de um época. Afinal é a única HQ brasileira que perdurou por tanto tempo. Mas de qualquer forma uma mudança era necessária, depois de diversos novos personagens, Mauríciu teve uma idéia no mínimo inusitada.

Abrindo um parêntesis aqui, sabemos que hoje a moda é Mangá, as HQs japonesas dominam o público infanto-juvenil, concorrendo com as, antes imbatíveis, HQs americanas (Super-homem, homem-aranha e etc.). Voltanto para Maurício, ele resolveu fazer um teste e atualizar a turminha, mas porque não estilizar e encaixar Mônica e cia na moda? Então ele “manganizou” os personagens. Isso mesmo a turma da Mônica Jovem agora em estilo mangá, em termos de roteiro, ao menos.

O traço ainda é estilo Maurício, mas com uma queda grande ao estilo japonês, o roteiro no entanto mudou totalmente. Nada de planos infalíveis, entra em cena histórias ancestrais e imperatriz do mal. Chocado denovo? Calma, o teor ainda é comédia. Como só li a nº 1 não dá para saber como tudo vai terminar, mas a história parece ser simples (até meio fraquinha) e a inovação foi muito drástica.

Minha opinião pessoal é, por incrível que pareça, tem potencial. Sim eu creio nisso. Maurício é novo no ramo, e creio que não viver imerso na cultura dos mangás. Logo é de se esperar um história razoável, e o público-alvo ainda é infanto-juvenil. No entanto eu vejo a mudança como uma faca de dois gumes. Pode ser uma catástrofe ou pode dar muito certo, depende muito da cabeça dos novos e velhos leitores.

O fato é que alguma mudança realmente era necessária e eu sou da opinião que os personagens têm que crescer, porque depois de um tempo cansa vermos nossos heróis com a mesma cara, enquanto a nós mudamos (como um leitor assíduo de HQs americanas, não falo isso sem base), então vou conferir para ver como essa nova “Turma da Mônica Jovem” vai se sair, e espero que acabe saindo algo bom.

Para saber mais só comprando e lendo mesmo e eu aconselho a comprar e ler e tomar sua própria conclusão, mas se você odeia mangá, é melhor deixar para lá ou ler preparado para as mudanças.

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